sábado, 3 de novembro de 2018

EDUCAÇÃO CONTEMPORÂNEA


No século XX surgiram vários movimentos, experiências e teorias educacionais destinadas a renovar os métodos da escola tradicional. Assim, a herança dos conhecimento pedagógicos do século XIX permitiu que se chegasse no século XX a um conceito bem mais pragmático da educação.
A nova escola e a escola ativa. A chamada "escola nova" abarcou várias correntes pedagógicas. Reagindo contra a organização tradicional do ensino em compartimentos estanques, o médico e educador belga Ovide Decroly criou o método globalizador, que se concentrava no princípio do interesse da criança. Já o francês Célestian Freinet valorizou o ensino baseado em métodos ativos e no trabalho de equipe como meio de formação do educando, centralizando as atividades escolares em torno do uso da imprensa na escola.
A partir do principio de que o ensino simultâneo não levava em conta as diversas aptidões e tipos de inteligência dos alunos, procurou-se estabelecer a "diferenciação pedagógica" em graus e ciclos sucessivos, da qual ja se havia cogitado anteriormente. Nesse sentido, o psicologo suíço Edouard Claparéde, que deu a seu método a denominação de "educação funcional", criou o sistema de grupo móveis. Desse sistema, a pedagogia passou à individualição do aprendizado, no que sobressaiu o trabalho da italiana Maria Montessori, baseado no princípio da auto-educação. Na América Latina, Lourenzo Luzuriaga, Lourenço Filho e Anísio Teixeira foram grandes pedagogos da escola ativa.
Educação em liberdade. O inglês Alexander S. Neill, em sua escola de Summerhill, pôs em prática a educação em liberdade. Aboliu a hierarquia professor-aluno e, portanto, a relação de autoridade na experiência pedagógica, encaminhada a criança à auto-educação, de acordo com seu ritmo individual de desenvolvimento.
O suiço Jean Piaget, destacou-se entre os educadores que preconizaram o respeito à liberdade e à individualidade da criança, defendendo um sistema educativo menos diretivo, menos autoritário e uniforme. Piaget procurou demonstrar que a educação devia ajustar-se às leis e etapas do desenvolvimento psicológico da criança.




ANÍSIO TEIXEIRA



Anísio Spínola Teixeira nasceu em 12 de julho de 1900 em Caetité (BA), filho de fazendeiro, estudou em colégios de jesuítas na Bahia e cursou direito no Rio de Janeiro. Diplomou-se em 1922 e em 1924 já era inspetor-geral do Ensino na Bahia. Viajando pela Europa em 1925, observou os sistemas de ensino da Espanha, Bélgica, Itália e França e com o mesmo objetivo fez duas viagens aos Estados unidos entre 1927 e 1929. De volta ao Brasil, foi nomeado diretor de Instrução Pública do Rio de Janeiro, onde criou entre 1931 e 1935 uma rede municipal de ensino que ia da escola primária à universidade. Perseguido pela ditadura Vargas, demitiu-se do cargo e, 1936 e regressou a Bahia-onde assumiu a pasta da Educação em 1947. Sua atuação à frente do Instituto Nacional de estudos Pedagógicos apartir de 1952, valorizando a pesquisa educacional no país, chegou a ser considerada tão significativa quanto a Semana da Arte Moderna ou a fundação da Universidade de São Paulo.
Educação como meta política:
Nos anos de 1920, com a crescente industrialização e a urbanização em todo o mundo, a necessidade
de preparar o país para o desenvolvimento levou um grupo de intectuais brasileiros a se interessar pela educação vista como elemento central para remodelar o país. os novos teóricos viam num sistema estatal de ensino livre e aberto o único meio efetivo de combate às desigualdades sociais. esse movimento chamado de Escola Nova ganhou força em 1930, principalmente após a divulgação em 1932, do Manifesto da Escola Nova . O documento pregava a universalização da escola pública, laica e gratuita. Entre os nomes de vanguarda que assinaram estavam, além de Anísio Teixeira, Fernando Azevedo (1894-1974), que aplicou a sociologia à educação e reformou o ensino em São Paulo nos anos 30, o professor Loureço Filho (1897-1970) e a poetiza Cecilia Meireles (1901-1964).
A atuação desses pioneiros se estendeu por décadas, muitas vezes criticada pelos defensores da escola particular e religiosa. Mas eles ampliaram sua atuação e influenciaram uma nova geração de educadores com Darcy ribeiro (1922-1997) e Florestan Fernandes (1920-1995). Anísio foi mentor de duas universidades: a do Distrito Federal, e do Rio de Janeiro.

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